| More

iron_man2 poster

Título original: ‘Iron Man 2’;

Realizado por: Jon Favreau

Elenco Principal: Robert Downey Jr., Mickey Rourke, Don Cheadle, Sam Rockwell, Gwybelth Paltrow, Scarlett Johansson.

Argumentista: Justin Theroux;

Género: Acção, Aventura;

Orçamento: 150 a 200 milhões $ (aproximadamente);

Duração: 2h5min.;

Estreou em Portugal: 29 de Abril de 2010;

Classificação: Maiores de 12.


Tony Stark está de volta e a realidade é que durante este intervalo de 2 anos, entre o primeiro e o segundo filme, muitos de nós sentimos enormes saudades do genial, excêntrico e playboy Stark. Depois do primeiro filme ter aberto um mundo de possibilidades, graças ao anúncio público por parte de Stark, de que este era de facto o super-herói Iron Man, o que nos trouxe esta sequela? Viveu ao nível das elevadíssimas e imensuráveis expectativas?

Após o anúncio público da sua identidade secreta, 6 meses se passaram. Durante esse período, uma nova ordem foi imposta pelo Homem de Ferro. Tony Stark resolveu conflitos, instaurou a paz no mundo, tornou-se uma das celebridades mais reconhecidas em todo o planeta. No entanto, nem tudo é perfeito. As pressões públicas por parte do governo dos EUA e do seu amigo Rhodey (Don Cheadle) para que Stark partilhe a tecnologia por si criada, intensificam-se. Simultaneamente, Ivan Vanko planeia a sua vingança pessoal contra Stark, enquanto Justin Hammer, outro negociante de armas, deseja colocar as suas mãos na tecnologia de Stark para conseguir um contrato com o governo dos EUA. Juntámos a isto tudo, o facto de Tony estar, rapidamente, a morrer de uma infecção causada pela alimentação da fonte de energia que o mantém vivo e o aparecimento de uma misteriosa nova secretária, Nathalie e temos uma bela de uma confusão.

E esse é mesmo o grande problema deste filme: o excesso de arcos narrativos. Com tantas histórias a decorrer em simultâneo, existe uma débil/pobre estruturação, um sub-aproveitamento que leva a saídas fáceis, que me surpreenderam pela negativa, isto após o primeiro filme ter sido tão sólido na sua narrativa. Há coisas verdadeiramente, inaceitáveis, mesmo num filme de super-heróis. Por exemplo, como é que Whiplash conseguiu saber, exactamente onde e qual era o carro de Stark, no Grande Prémio do Mónaco? Para não falar, na forma como o argumento quebra a partir do seu meio e no terço final. Sem querer desbravar muito a história, incomoda-me a forma quase instantânea como Stark consegue descobrir um novo elemento e sintetizá-lo em pouco menos de 5 minutos, colocando de lado o rótulo de génio e assumindo um estatuto de deus. Ou a forma como ele, tendo óbvios problemas com o seu pai, resolve-os com a mera visualização de uns vídeos, que, lamento dizer, não tinham qualquer coração? E acreditem que apenas não me quero alongar, se não conseguia “demolir” o fraquíssimo argumento deste filme, num piscar de olhos.

Mas o que salva este ‘Iron Man 2’ da mediocridade e torna-o divertido? As personagens, sem dúvida. Robert Downey Jr. está, de novo, estratosférico como Tony Stark. No entanto, o seu Stark é um cavalo mais negro aqui. Mais narcisista, com um ego muito mais inflamado, mas Downey Jr. rouba todas as atenções para si, facilmente. Mas ao contrário do primeiro filme, não está só. Mickey Rourke e Sam Rockwell foram duas excelentes adições ao elenco. O primeiro – apesar de ser, claramente, desperdiçado – consegue se afirmar como uma ameaça credível. Por entre as suas múltiplas tatuagens, o seu imponente físico e o seu Russo, Rourke foi a escolha perfeita para enfrentar Stark. Rockwell consegue encarnar na perfeição uma pateta caricatura de Stark, Alguém que queria ser como ele, mas não tem nem o carisma, o génio ou o estilo para tal. Pena, Favreau não ter visto que tinha nas mãos uma dupla forte e com química, que necessitava de mais tempo de ecrã. De resto, todo o restante elenco, sem qualquer excepção, têm divertidas, simples e carismáticas interpretações. É bom ver que, tal como no seu antecessor, este filme dá tempo aos actores para desenvolver as suas personagens, não as colocando debaixo de um constante fogo-de-artificio digitalmente recriado.

Concluindo, o estilo, o coração do primeiro filme, aquele espírito algo indie perdem-se na blocbusterização desta saga. A jornada de Stark para a redenção, que me apaixonou no primeiro filme, é substituída por maior espectáculo visual, mais cheiro a metal queimado. Quando o filme atingiu o meio da sua duração, recalibrei as minhas elevadas expectativas e desliguei o meu cérebro. Gostei também da forma como foi criado o ímpeto definitivo para um filme ‘Avengers’ e das cenas de acção, em especial a do Mónaco – em termos de pura acção, é das melhores que já vi dentro deste género. ‘Iron Man 2’ é, somando tudo, um filme óptimo para lançar mais uma época de filmes de Verão. Que venham ‘Thor’ e ‘Captain America: The First Avenger’!

7/10

blog comments powered by Disqus
Related Posts with Thumbnails