Miguel Reis, ou Knoxville, autor do sobejamente conhecido Cinema Notebook, é, com imenso prazer, o décimo convidado desta iniciativa. A sua escolha recaiu na talentosa e bela Natalie Portman. Muito obrigado Miguel por teres aceite este convite. Quanto a todos os leitores, basta continuarem a ler para conhecerem quais as suas escolhas.
Ninguém sabe bem quando é que Natalie Portman passou de menina a mulher, se bem que muitos afirmem que esse mérito cabe a Mike Nichols. A verdade é que a israelita de feições tão simples quanto elegantes conquistou Hollywood e o mundo aos onze anos, com uma interpretação fabulosa ao lado de Jean Reno, no também ele fantástico ‘Léon’ de Luc Besson. Como se não bastasse, um ano depois fazia companhia a Al Pacino e De Niro em ‘Heat’, de Michael Mann. Aos dezanove, disse estar já cansada do "star system" e ponderou seguir uma nova carreira. Dedicou-se aos estudos universitários mas, graças a Deus - ou, mais provavelmente, graças a George Lucas - deu meia-volta e voltou dois anos depois aos estúdios para nos continuar a oferecer com algumas das mais estrondosas performances cinematográficas da última década, como foi o caso de ‘V for Vendetta’, ‘Closer’ ou ‘Garden State’. Agora resta esperar que as unhas aguentem até que Natalie chegue até nós enquanto ‘Cisne Negro’, na próxima fita do visionário Aronofsky, com estreia prevista para o final do ano.
Léon (1994)
Depois de ter sido descoberta numa pizzaria alguns meses antes por um “caçador de talentos” do mundo da moda, a pequena Natalie foi ao seu primeiro casting e Luc Besson... rejeitou-a, alegando que se tratava de uma criança muito nova. Rezam as crónicas que a israelita voltou lá nos dias seguintes, sem ninguém a ter convidado, e arrancou uma interpretação fantástica no casting que não deu alternativa a Luc Besson. No filme, enquanto Mathilda, criança orfã a viver com um inadaptado assassino a soldo, arrasou plateias. Era o início de uma carreira fascinante.
Closer (2004)
Natalie já tinha sido raínha na mais estrelar das constelações da história do cinema. Mas só quando Mike Nichols, em 2004, transformou a sua Alice numa stripper sedutora e libidinosa, em ‘Perto Demais’, uma poderosa obra sobre a complexidade das relações humanas, é que vimos uma faceta de Natalie que nunca imaginámos ser possível. Dona e senhora de uma sensualidade transbordante, a licenciada em Harvard mostrou que já não era mais uma promessa. Daí em diante, passou sim a ser uma certeza – e das mais bem pagas em Hollywood -, tanto para a crítica como para o público.
V for Vendetta (2005)
Em ‘V de Vingança’, do então estreante na realização James McTeigue, Natalie arranca uma interpretação assombrosa, espelho do espírito rebelde e revolucionário da obra. Com um look arriscado – mas que provou que até de cabelo rapado Portman é bela como poucas - a actriz vegetariana (tomem lá mais uma curiosidade) foi o eixo central de uma narrativa bombástica – literalmente. A verdade é que com Portman, é Natalie todos os dias e bastava o seu ar inocente para justificar qualquer acto de terrorismo ou convicção profunda.
